Cultura de Milho – Fazenda Fronteira

O milho é entre os cereais cultivados no Brasil, o de maior produção, tendo em média de 40,8 toneladas de grãos produzidos. Dividido entre duas safras, a normal e a safrinha. Possui alto teor produtivo devido as suas características fisiológicas. O milho apresenta em torno de 40 doenças, sendo que cada doença pode trazer um prejuízo diferente. Sendo assim, necessário investir na produção da folha, e não somente na nutrição da cultura.

A Fazenda Fronteira está localizada na cidade de Catalão – GO, vem sendo cultivada através de gerações por mais de 40 anos. O mais novo integrante da família, graduado em agronomia pela Universidade Federal de Uberlândia, José Victor Moreira Godoy, estuda constantemente sobre a lavoura de milho, para melhor atender e produzir nas propriedades da família.

– Como é realizado o manejo da safra normal e a safrinha do milho?

“O manejo da cultura do milho cultivada no verão mudou bastante nos últimos anos, no qual está cada vez mais técnico, exigindo mais cuidados e atenção. Tudo começa na escolha ideal de híbridos e sua população, levando em conta principalmente a região, o ciclo e as tecnologias embutidas na semente. A correção do solo e a adubação são muito importantes para que a semente expresse seu potencial produtivo. Os teores de Nitrogênio, fósforo e potássio, além de outros macro e micronutrientes são essenciais, por isso adubamos tanto no sulco de plantio como a lanço, além de aplicações de cobertura, principalmente de uréia. O controle químico varia de acordo com o ano, a tecnologia do hibrido e a pressão de doenças, plantas infestantes ou pragas na região, por isso o monitoramento constante é essencial. Geralmente, o potencial produtivo do milho safrinha é menor do que do milho cultivado no verão em razão do clima ser menos favorável, já que a cultura é submetida à um menor regime pluviométrico e temperaturas mais baixas. Por isso, no manejo da safrinha, buscamos sempre um melhor custo-benefício, muitas vezes, reduzindo a população, as taxas de adubação e até mesmo algumas aplicações de químicos.”

– Na região do Goiás e no Triângulo Mineiro, quais são as doenças mais comuns de serem encontradas? Quais prejuízos trazem as agricultores?

“As doenças podem ser divididas em foliares, podridões de colmo, doenças de espigas e sistêmicas. As doenças foliares mais comuns na região são: mancha-branca, cercosporiose, helmintosporiose ou turcicum e mancha de diplodia. Como exemplo de podridões de colmo, é mais comum a antracnose de colmo. Já as doenças de espigas, que causam os “grãos ardidos”, são mais comuns as podridões por Stenocarpella e Fusarium. E por fim, as doenças sistêmicas, que vem dando muito trabalho, são os enfezamentos pálido e vermelho, transmitidos pelas cigarrinhas.
Como prejuízos, as manchas foliares e as ferrugens reduzem a área foliar fotossintetizante da planta, resultando em menor produção de fotoassimilados e, consequentemente, em menor produção. As podridões dos tecidos do colmo reduzem a translocação de água e nutrientes absorvidos para a parte aérea das plantas, interferindo no processo de enchimento dos grãos. As podridões de espiga ou grãos ardidos, além de resultarem em perdas quantitativas, resultam em perdas qualitativas, sendo um empecilho na venda desses grãos. Já os enfezamentos geram diversos prejuízos na planta, podendo ocasionar uma morte precoce da planta.”

– Como é o fotoperíodo ideal para a lavoura de milho?

“O milho é originalmente uma planta de dias curtos, porém, na nossa região, o milho é praticamente insensível ao fotoperíodo, ele é considerado “termosensível”, no qual a temperatura é um fator muito importante para o desenvolvimento do milho. O ideal é ter temperaturas em torno de 25 °C e 32°C durante o dia e com noites frias, em torno de 16 °C e 19 °C. Noites e dias quentes aceleram o ciclo, acarretando perda de rendimento, além de ocasionar um maior gasto de energia, devido ao aumento do processo de respiração, enquanto noites e dias frios aumentam muito o ciclo, sem muito rendimento produtivo.”

– Qual é a pluviosidade adequada para se obter produto adequado?

A pluviosidade adequada depende de vários fatores, como o hibrído, a população, o manejo do solo, entre outros. Geralmente, a exigência da cultura é variável ao decorrer dos estádios fenológicos, sendo até V8 uma exigência de até 3mm/dia, já no enchimento de grãos, onde a demanda por água é maior, de 5 a 7mm/dia, uma média de 4 a 5 mm/dia, totalizando em média, um volume de 600mm de água para completar o ciclo. Um fator importante que deve ser lembrado, é a qualidade da água, sendo essencial evitar algumas substâncias químicas que possam prejudicar a planta. Além disso, vale lembrar que, normalmente, curtos períodos de secas no inicio do desenvolvimento da planta, gera um maior crescimento radicular, o que pode ser benéfico.”

– Entre quais outras culturas o milho é recomendado para ser safrinha? Por que?

Como o milho é uma planta exigente em nitrogênio o ideal é que se cultive o milho em sucessão com leguminosas, em que há o aporte de nitrogênio fixado biologicamente pelas plantas, destacando-se a soja e feijão. Nessa sucessão, tanto o milho plantado após a soja quanto a soja plantada após o milho produzem mais, devido à uma menor incidência de pragas e doenças e à maior quantidade de nutrientes deixados pela palhada, garantindo um melhor perfil de solo.

– Você realiza algum sistema de consórcio com o milho? Se sim, quais cuidados devem ser tomados?

“Sim. Esse ano foi a primeira vez que utilizamos o Sistema Santa Fé, um consórcio de milho e capim braquiária, buscando uma melhor cobertura do solo após a colheita do milho, fornecendo mais nutrientes presente na palhada para a próxima safra e garantir uma supressão de plantas infestantes, além de um melhor manejo e proteção do solo. É um sistema técnico, que exige muita atenção no manejo, principalmente com o uso de herbicidas para “travar” a braquiária nos estádios iniciais e mais sensíveis da cultura do milho.”

– Como você e a sua família avaliam atualmente o comércio do milho?

“O mercado brasileiro de milho vive agora um bom e importante momento, de preços altos e forte demanda. Alem da intensa exportação do grão, o setor de proteína animal (fabricação de ração) é muito importante, sendo o mais atuante em relação à demanda interna. Outro ponto interessante, é a produção de etanol de milho no Brasil, que está crescendo e vem ganhando espaço em relação ao etanol de cana. Portanto, nossa expectativa é que os preços se mantenham firmes durante esse ano, com o câmbio em alta e boa movimentação para exportação e boa demanda interna.”

– Dê uma dica de extrema importância para quem quer começar o cultivo de milho.

“A cultura do milho está cada vez mais tecnificada, com novas tecnologias, híbridos, entre outros, por outro lado, é necessário um grande investimento para atingir boas produtividades. Devido à esse retorno positivo da cultua, nesses últimos anos, passou a ser comum uma “ponte verde”, no qual estamos cultivando milho durante o ano todo, seja safra de verão, safrinha e milho semente, o que junto com outros fatores, agravou muito o problema com doenças e pragas, e como nada na agricultura é uma receita de bolo, o manejo está ainda mais complexo. Os desafios são grandes, mas as ferramentas de manejo nós temos, basta estudar, ser curioso, sempre se atualizar, para saber qual, como e quando usá-las, para garantir bons resultados.”

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Victoria Hueb

Graduanda em Medicina Veterinaria pela Universidade Federal de Uberlândia. Nascida e criada por pecuaristas da região de Uberaba e Campo Florido. Apaixonada por cavalos e seus esportes!

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