Manejo do Gado de Elite

Por mais de 80 anos, os animais são levados em feiras, agropecuárias, exposições para mostrarem sua genética, morfologia, mansidão e beleza para outros produtores. Obter um grande campeão ou uma grande campeã, não é fácil. Exige responsabilidade, amor no trabalho, paciência e bem-estar para preparar os bovinos. Dentre vários profissionais da área, como veterinários, zootécnicas, o mais importante em realizar essa tarefa são os responsáveis pelo manejo nas cocheiras.

Atualmente, Luan Padun está atuando no Nelore Paraíso, localizado em Passos – MG. Natural de Londrina, no Paraná, já passou por fazendas referência em gado de elite. Possui títulos importantes e entende ao realizar o manejo desses animais para leilões, exposições e julgamentos.

– Como e quando começou o seu trabalho com o gado de elite?

“Comecei em torno dos 13, 14 anos. Meu pai trabalhava com gado, então desde pequeno eu estava envolvido nesse meio do gado de pista, de elite, e acredito que tenha sido paixão à primeira vista. Foi desde novinho eu me apaixonei, algo que só quem vive isso sabe. Não tem explicação. Mas foi assim, vendo meu pai, foi vendo fotos, ele preparando o gado para exposição e acabei agarrando a mesma paixão.”

– Durante o seu trabalho, qual julgamento ou leilão que mais marcou a sua carreira?

“Acho que a pista que me marcou, não foi na pista do Nelore, foi na raça Brahman. Foi no meu primeiro campeonato, com uma campeã bezerra na Expoingá. Foi o mais marcante, que foi o meu primeiro troféu. E o leilão para mim, foi o liquidação Nelore Aud, que eu tive o prazer de vender a Catedral Fiv Ciav que foi comercializado na época por R$ 1.500.000 reais (um milhão e meio reais). Então foram os dois momentos importantes da minha vida.”

– Como é feita a preparação de um animal de julgamento antes da exposição?

“A preparação de um animal antes de uma exposição é o mais importante, pois durante a exposição a gente mantém ele limpo, bonito, barriga cheia, vazio cheio, então a preparação e feita em casa. A gente foca muito no desempenho, um animal dócil, manso, que para bem, que ajuda a gente a posicionar bem, então a gente treina muito eles em casa, o banho, o carinho que são importante, o suplementos que damos a eles, o trato que faz a diferença. Então, a preparação base é feita em casa, o que a gente mais foca é em casa. Para que tudo certo na exposição, pois um desvio errado, perdemos tudo.”

– Vocês seguem um manejo nutricional padrão para todos os animais, ou existem dietas especiais?

“É feito sim uma dieta especial, que é padrão para todos os animais. Mas existem animais que existem nutrição diferente, talvez tem um animal que acumula mais gordura, que a gente vai utilizar para esse animal uma nutrição com menos energia, e mais feno. Talvez tem um animal que falta acabamento, administra uma ração com mais energia, menos feno, caminha menos. Então cada animal tem a sua nutrição, por isso não tem um padrão só, porquê cada animal vai ter um tipo de tratar diferente, variando em cada animal para animal.”

– Como você avalia o padrão do bem-estar desses animais?

“Tem muita gente que tenta falar que o animal fica amarrado. Muitas pessoas pensam que a gente maltrata os animais, na hora de amansar, isso para os animais é como se fosse uma Família Real. Pois eles vem para as cocheiras com 45 dias, sempre as baias, com a palha (que é a cama) vão estar secas, limpas, trato e água frescos. Ensinamos eles a andar no cabresto para escovar, dar banho. Então o bem-estar para eles fazem a diferença para gente. É claro que no começo o animal que vem para uma seleção, cocheira, ele fica mais estressado, mas logo que ele entra no ritmo, no manejo, ele vai se adaptar a isso. Então para ele, vai ser bom tudo isso, com água fresca, uma ração equilibrada e fresca, uma cama limpa, o carinho que todos tem com eles, fazem a diferença para eles. E eu tenho certeza que o bem-estar deles é excelente.”

– Durante as exposições e julgamentos, como é feito o manejo dos animais?

“Durante a exposição a gente tem atenção em manter o animal com o vazio cheiro, barriga cheia, limpo, bem escovado, muito branco, calmo. Ter atenção para evitar algo que prejudique a gente, o animal, então, durante a exposição mantemos o que fizemos em casa.”

– Quais os aspectos que você avalia que uma bezerra ou um bezerro pode tornar um futuro campeão ou campeã?

“Eu trabalhei em muita fazenda que nasce muito animal, em torno de 800 a 1000 prenhezes por ano. Então, para mim tem animal que nasce com característica que pode virar o campeão ou campeã, a gente olha e fala que ele tem cara de campeão. O campeão ou campeã nascem diferentes dos outros, nascem com característica, desempenho diferentes, nascem com uma beleza que poucos exergam. Então, os campeões nasceram para aquilo, parece que eles nascem pronto.”

– Qual a matriz e qual o touro você considera o que mais se encaixa em uma grande produtora e grande produtor de campeões?

“A gente tem várias. Para mim, a número 1 é a Parla, tem a Jolie, tem a Elegance, Itália, tem a Prada da Sabiá, são várias matrizes que fizeram campeãs e fazem até os dias de hoje. Os touros temos vários, mas o que mais me deu alegria, que foi pai do animal que eu vendi no leilão por um milhão e meio, para mim é o Big Ben da Santa Nice, que é um produtor diferente. O Basco que foi o maior produtor de campeonato, temos o Bitelo. E agora temos o Kayak. Esses são os destaques para mim.”

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Victoria Hueb

Graduanda em Medicina Veterinaria pela Universidade Federal de Uberlândia. Nascida e criada por pecuaristas da região de Uberaba e Campo Florido. Apaixonada por cavalos e seus esportes!

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