Nutrição animal na seca: como suprir as necessidades dos animais neste período.

 

O período da seca, apresenta este nome, pois possui uma quantidade reduzida de chuvas. A redução da precipitação faz com que as pastagens sequem, limitando o acesso dos animais a alimentos de qualidade. Para este período, portanto, é muito importante a realização de uma suplementação adequada, a fim de suprir todas as falhas nutricionais.

 

No período de estiagem, as pastagens se tornam precárias, apresentando baixos índices proteicos, pouca energia e muita matéria seca. Estes fatores tornam a pastagem de baixa qualidade, pois não oferecem ao animal os nutrientes que ele precisa além de possuir baixa palatabilidade. Tais fatores  podem ser corrigidos com uma complementação adequada.

 

As pastagens no período da seca oferecem quase toda matéria seca que o animal precisa, porém falta energia e proteína. As pastagens que terão maior aproveitamento, serão aquelas que apresentarem maior quantidade de folhas, ao invés de colmo e inflorescência, pois o capim que foi deferido, aguardando esta época, quando chega na fase de produção de inflorescência, diminui a quantidade de proteína foliar.

 

Uma solução para essa época do ano é oferecer para os animais um alimento altamente energético. Pode ser ofertado aos animais uma ração de qualidade e bem balanceada, em cocho, ou ainda, por exemplo, a silagem, que na maioria das vezes é feita a base de milho, mas que também pode ser de sorgo, milheto, cana-de-açúcar, dentre outros.

 

A silagem nada mais é do que forrageiras úmidas, conservadas em ambiente anaeróbio, (sem oxigênio), que formam um alimento altamente energético para suplementação, preferencialmente, de ruminantes. A forragem mais escolhida para silagem atualmente e o milho, já que este possui produção adequada de matéria seca, alto valor energético e consumo voluntário elevado.

 

Devido ao índice de proteína foliar estar muito baixo, a oferta de sal proteinado, acrescido de ureia, é essencial para que os animais não percam peso ou até obtenham um ganho, mesmo que mínimo, sendo também muito importante para o aumento da digestibilidade de fibras na dieta. A ureia é uma das principais alternativas para suplementação a baixo custo, já que tem um valor de mercado inferior.

 

A ureia é chamada de falsa proteína, pois na realidade ela é um composto sólido, nitrogenado, não protéico originado do petróleo. Esta se torna de extrema importância pois ao alcançar o rúmen do animal, através da enzima urease é desdobrada em amônia e CO2, então os microrganismos utilizam essa fonte de nitrogênio para síntese de nova proteína, que será consumida pelo organismo.

 

A grande vantagem do uso da ureia, é possuir um baixo custo em relação às proteínas verdadeiras, permitindo uma economia de insumos, sem comprometer o rendimento animal, além de colaborar na digestão das pastagens quando secas e com maior quantidade de fibras. Diante destes benefícios a ureia se torna extremamente viável dentro das propriedades.

 

A desvantagem da ureia é que se não for utilizada de forma adequada pode se tornar tóxica, acarretando uma série de problemas e até a morte do animal. Para um manejo correto no uso da ureia é necessário que seja realizada uma adaptação, começando com uma quantidade reduzida da mesma, até que se alcance a quantidade adequada, evitando assim maiores problemas.

 

A quantidade ideal de se ofertar o sal proteinado acrescido de uréia aos animais, e em torno de 100 g por unidade de animal (UA), onde um UA corresponde a um animal de 450 kg. Dentro dos 100 g de sal proteinado, 30% deve ser de ureia. Importante lembrar que a uréia não deve ser ofertada para animais muito magros, ou até em jejum, pois pode levá-los a morte.

 

Uma dica é associar a ureia a uma fonte de enxofre, a fim de que aminoácidos sulfurosos sejam sintetizados. Esta associação deve ser feita de modo que haja de 10 a 15 partes de uréia (nitrogênio) para uma de enxofre. Na prática, para cada 100 kg de ureia pode-se aplicar 15 kg de sulfato de amônia, que é o mais utilizado, mas pode também ser usado 4 kg de flor de enxofre.

 

A atenção ao manejo dos animais na seca deve ser criteriosa também. O cocho deve possuir um espaço linear de, no mínimo, seis centímetros, por animal. A lotação de pastos deve ser de um animal de 450 kg por hectare, podendo ser maior, somente no caso de haver fartura de forrageiras.

 

Portanto, é interessante a realização de uma suplementação alimentar no período da seca, assim, os animais conseguem manter seu peso e até apresentarem um ganho significativo. Uma suplementação de qualidade, e bem montada, garante ao proprietário maior rendimento dentro da fazenda e um bom desempenho animal no final da seca.

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Maria Almeida Prado

Estudante de Zootecnia pela Universidade Federal de Uberlandia (UFU), apaixonada pela pecuária e gestão de fazendas.

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