Ovinocultura em Uberaba – MG

A ovelha é um mamífero ruminante, o seu macho é o carneiro. Existem diversas finalidades, como a produção de lã, leite e carne. Na produção de leite destaca se a alta concentração de cálcio para a prevenção de osteoporose, e é mais digestível do que o leite bovino. Com isso, seus derivados ficam na lista dos mais comercializados. Os quatro países de maior produção de ovinos é a China, Uruguai, Índia e Nova Zelândia.

Na cidade de Uberaba, o zootecnista, consultor da NeoOvinos, Marcelo Barsante Santos é especialista em nutrição de ruminantes, e criador de ovelhas.

– Há quanto tempo o Sr. cria ovelhas?

“A minha criação deu início em 1999, no começo para a produção de carne. Com o avanço da ovinocultura, decidi também entrar no ramo da genética. Temos a raça Santa Inês e Dorper.”

– Qual é o tipo de raça que tem em sua propriedade?

“Trabalho com a raça Santa Inês, que é oriunda do nordeste do Brasil, iniciei a criação com ela em 1999. No ano de 2003, eu entrei na raça Dorper, onde fui o primeiro criador na região de Minas Gerais. Atualmente, estou com as duas raças, onde realizo também, o cruzamento entre elas.”

– Por quais motivos o leite de ovelhas é considerado mais digestível do que o leite de vacas?

“Na verdade, a constituição dele é diferente, o tipo da proteína, baixa lactose, entre outras. Mas a exploração de leite no país é muito pouca, somente para a produção de queijos finos. E são pouquíssimas propriedades no Brasil, sendo que 90% é voltado para a produção de carne.”

– Quais são as raças destinadas para a produção de carne? E as raças para a produção de leite?

“Existe no mundo mais de 800 raças de ovinos, uma para cada ambiente do planeta, tem raça para criar no gelo, na savana, no deserto, para o clima úmido, enfim, infinidades de raças. Muitas puras, e outras sintéticas, ou oriundas de diversos cruzamentos, sendo um produto composto. No Brasil, podemos destacar, para a produção de carne, as raças nacionais como Santa Inês, Morada Nova, Bergamácia. Entre as raças exóticas, que vieram para o Brasil temos o Ultex da Holanda, Suffolk da Inglaterra, Dorper da África do Sul. Para leite, a Bergamácia da Itália e a Lacaune da França.”

– Como é feito a nutrição de ovelhas para cada tipo de criação?

“A base da criação de ovinos, é a pastagem, o capim, pois são ruminantes. Mas nada impede de você suplementar com ração principalmente na época da seca, e também pode suplementar os cordeiros, desde o nascimento até o abate. Com a ração ganha mais peso, do que com a pastagem, onde você consegue fazer o abate em até 5 meses. Nunca usar sal de bovinos, e sempre, sal mineral para ovinos.”

– Qual a criação na região do Brasil que permite maior lucratividade?

“Bom, na verdade a lucratividade está relacionado com o sistema de produção dentro da sua fazenda, como você cria. Nós temos criações na região do estado de São Paulo que são mais voltadas para o cocho, que custa mais ração, tem criação extensiva na região do Rio Grande do Sul, com pastagem nativa que tem um custo mais baixo, porém demora mais. Já no Nordeste, que tem o problema de seca em torno de 8 meses no ano, mas com o vegetação nativa, e demoram mais. Então tem que fazer conta. O certo é fazer uma criação com o “pé no chão”, e com custo mais baixo que o produtor conseguir. Mas todas as regiões do Brasil é possível ter lucro, como cria e gasta.”

– Como é o manejo de bem-estar das ovelhas?

“O manejo de bem-estar, seria, para qualquer animal, o conforto térmico, ou seja, como estamos em um clima tropical, onde pode passar de 40ºC a temperatura, gerando o estresse térmico pelo calor. Pastagem bem arborizadas, se não tiver, colocar sombrites também é uma saída, água fresca de boa qualidade. E trabalhar com raças mais adaptadas, que são oriundas do hemisfério norte tem mais problema com a adaptação com o calor.”

– Como o Sr. avalia atualmente, o mercado de ovinos?

“O mercado é o seguinte, existem alguns frigoríficos no Brasil que fazem a compra do cordeiro para o abate, e hoje (27/01/2020) estão pagando em torno de $19,00 o kg da carcaça abatida, mas para buscar em sua propriedade, tem que ter em média 100 animais para compensar o frete. E tem o mercado informal, que é muito grande, e eu penso que não vai acabar, que é o que a pessoa abate em sua propriedade, abate artesanal e faz a venda na cidade. Venda direta para o consumidor, que você consegue vender por um preço mais alto, tem gerado de 25,00 a 30,00 reais o kg.”

Qualquer dúvida ou dica, Marcelo Barsante presta assistência técnica a rebanhos, entrar em contato com o telefone (034) 99118-8082.

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Victoria Hueb

Graduanda em Medicina Veterinaria pela Universidade Federal de Uberlândia. Nascida e criada por pecuaristas da região de Uberaba e Campo Florido. Apaixonada por cavalos e seus esportes!

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