Nelore Jatobá

O gado nelore de elite é apaixonante para todos do agronegócio. Beleza, rusticidade, docilidade e padrão racial encantam quem trabalha com essa raça. O Sr. Hildevaldo Brito Leal trabalha há 12 anos na Jatobá Agricultura e Pecuária, no município de Itaquiraí – MS. Onde vem criando nelore de elite por mais de 20 anos.

Como começou a criação do gado Nelore Jatobá?

“Começou criatório Jabotá por volta do ano 2000, o Dr. Carlos foi em Uberaba, e se apaixonou pelo nelore como todo mundo, gostou demais. A primeira vaca que ele comprou aqui foi a Gaurina que foi a base do nosso gado, e até hoje temos todos os animais descendentes dela. Toda a nossa base é da família da Gaurina.”

Como é feito a seleção genética dos animais para pista, doadoras e touros?

“A seleção do gado de pista começa com 2 meses de idade, vamos até o curral, apartamos e selecionamos os melhores. A nossa seleção é muito concentrada na parte leiteira, apartamos primeiro a mãe, depois o bezerro. Se a mãe for boa de leite, boa mãe, que cuida e trata bem do bezerro, dócil e reprodutiva trazemos para a cocheira, se não, já descarta lá, bezerros com defeitos, que não agradam, e não fazem o perfil da Jatobá.”

Quais são os requisitos para selecionar uma receptora?

“Victória, para selecionar um rebanho, temos que ser bem criterioso. Animal que a gente vê que não é produtivo de carne, de leite e a fêmea que a gente vê que não é uma boa mãe, a gente descarta. Geralmente, emprenha uma vez e deixa parir, se não deu leite, não tratou bem e não cuidou do bezerro, é descarte. Tem que selecionar pelo tipo, não adianta ser boa de leite e o animal não está nos padrões. O nelore é para produção de carne, não pode ser aqueles animais pernaltas ou tardios, não tem mais chance no mercado.”

Qual foi o prêmio mais emocionante em sua carreira?

“Eu tenho 23 anos de exposição. Para mim o campeonato mais emocionante que eu já tive, foi em Uberaba – MG, foi do Grande Campeonato da Dona, durante a Expozebu em 2008. Tiveram vários, mas o que mais marcou foi esse na minha carreira.”

Como é feito o manejo dos animais para as pistas de julgamento?

“A gente aqui seleciona para pista, como a gente viaja muito, vê o perfil de gado que os jurados estão julgando. A gente tenta encaixar os animais no perfil dos animais que os jurados estão mais querendo. Animal mais baixo, de costela, mais produtivo, racial porque não pode perder a característica padrão de nelore, ossatura, carcaça. Que são características que o gado nelore sempre teve, e tem gente esquecendo de preservar esse padrão racial.”

O que vocês analisam ao levar em uma exposição progênie de pai e de mãe?

“Na progênie de pai, nós temos que analisar muito a característica. O pai tem que passar tudo o que ele tem para os filhos. São 4 animais em uma progênie de pai, todos tem que ser parecidos, no máximo, você tem que tentar fazer uma progênie deles bem parecidos, racial, cupim, ossatura, para os machos que estiverem na progênie o aparelho reprodutivo tem que ser iguais, e na pelagem, todos iguais, mesma cor, como exemplo, os 4 animais “branquinhos”. Para a progênie de mãe, tem que ser mais criterioso ainda, pois são somente 2 animais, ai tem que ser mais parecida ainda, quase perfeito.”

Dê uma dica para quem quer iniciar na criação de nelore elite padrão.

“Então Victória, eu aconselho assim, são três coisas importantes que eu falo quando me perguntam. Em primeiro lugar, equipe. Se não tiver uma equipe dedicada, que não gosta, e que não “veste a camisa da firma”, melhor nem começar. Em segundo lugar, genética boa, as atuais que estão no mercado. E em terceiro, estrutura. Então tem que começar com essas três dicas e ser bem criterioso em sua seleção. E com alimentação boa, que o fator nutricional também está entre as coisas mais importantes.”

Hildevaldo conta como é a rotina e o que faz para obter sucesso durante sua carreira – “Victória, o trabalho nosso na fazenda, é chegar cedo nas baias, soltar os animais para andar, porque isso é muito importante, fechar as 10h, e quando eles voltam, já tem cama e trato prontos, sal nos cochos, bebedouros lavados. Depois que eles comeram, deitaram, leva ao lavador, dá um banho, que ai eles voltam e comem mais ainda. E com os machos, a gente costuma cobrir as fêmeas desde cedo, e os machos tem que andar, exercitar, para andar atrás de vaca. Pois quando vender os touros, o comprador devolve pois não cobriu, e fica somente em sombras.”

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Victoria Hueb

Graduanda em Medicina Veterinaria pela Universidade Federal de Uberlândia. Nascida e criada por pecuaristas da região de Uberaba e Campo Florido. Apaixonada por cavalos e seus esportes!

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