Produção de Leitões

O comércio consumidor está cada vez mais exigente, seja nos sabores, qualidade e preços dos mais variados tipos de carne. A carne suína vem ganhando espaço, sendo cada vez mais desejada pelo público, em especial, ao comparar com os preços das carnes nobres de bovinos. Para a produção de leitões os estudos relacionados a genética e nutrição das fêmeas estão sendo de extrema importância para chegar à mesa da população com qualidade e maciez em seus cortes.

Willian Rodrigues Valadares é médico veterinário pela Universidade Federal de Uberlândia, atualmente aluno de mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.Com dedicação exclusiva, está trabalhando no mestrado com estratégias alimentares no período de transição de fêmeas suínas, basicamente em unidades de produção de leitão.  

– Qual a importância de se estudar estratégias alimentares para fêmeas suínas?

No sistema de produção, a fêmea suína possui um papel principal, é a partir desta que teremos o leitão, que é o produto comercializado, então, estudar estratégias que melhore as condições alimentares para as fêmeas suínas é de extrema importância para o desenvolvimento da suinocultura. Sempre digo, “cuide da fêmea que ela cuida do leitão”.

– Como é feito o manejo alimentar das fêmeas suínas durante o período de transição em um sistema deprodução de leitões?

É bem variado nos diversos sistemas de produção. Em algumas propriedades ao ser transferida para a maternidade, a fêmea continua com o manejo de alimentação restrita até o momento do parto, em outras, as fêmeas recebem alimentação à vontade a partir do momento e que chegam no setor de maternidade. Da mesma forma, a fêmea pode ser alimentada gradativamente no pós-parto ou já receber alimentação a vontade. Os dois métodos apresentam vantagens e desvantagens. Restringir a alimentação no pré-parto, pode ajudar no processo de parto, auxiliando que o reto do animal não esteja repleto de fezes no momento do parto, o que ajuda na saída dos leitões e diminui o número de natimortos por exemplo. Na contramão, forneceralimentação a vontade até mesmo no dia do parto, pode ser benéfico no fornecimento de energia para o animal, que despende bastante energia no processo do parto, com esse “plus” de energia, o animal teoricamente teria melhores condições e força para expulsão do leitão pelo útero.

– Quais as dificuldades encontradas para alimentação de fêmeas suínas atualmente?

Nos sistemas de produção tecnificado, a prolificidade das fêmeas aumentou consideravelmente nas últimas décadas, com isso a fêmea passou a ser mais exigida por parte dos leitões, iniciando um balanço negativo, onde a capacidade de retirar nutrientes dos alimentar é menor do que a quantidade “doada” aos leitões por meio do leite. Diante disso, um grande desafio é encontrar estratégias que consigam diminuir esse balanço negativo, afim de aproveitar o maior potencial produtivo da fêmea.

– Qual é a sua visão do país atualmente voltado para a suinocultura?

O Brasil é o quarto maior produtor e exportador de carne suína mundial, esse número é fantástico, mas ainda temos espaço para evoluir. A tecnificação das granjas, e os estudos conduzidos por grupos que trabalham com a suinocultura superam dia-a-dia os obstáculos encontrados pela suinocultura brasileira, impulsionando a produção e trazendo rentabilidade ao sistema. Felizmente temos um status sanitário bom quando comparado a grandes centros de produção, como por exemplo, a china que sofre com a peste suína africana, e temos disponibilidade de terra e produção de grãos, um cenário ideal para a expansão da atividade no país.

Para finalizar, Willian fecha a entrevista ressaltando a importância das granjas de porco – “Enfim, se tratando de suinocultura, temos um grande potencial, e uma boa representatividade no mercado internacional. Estudar estratégicas que visam o aumento de produção, nas diversas fases do sistema produtivo impulsionam a suinocultura e nos mantém entre os grandes produtores. Devemos também voltar a ao mercado interno, com o oferecimento de cortes e opções de consumo dos diversos produtos a base de carne suína. A associação brasileira de criadores de suínos, vem fazendo um trabalho sensacional, na divulgação de material nesse sentido, vale a pena uma conferida no site da associação.”

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Victoria Hueb

Graduanda em Medicina Veterinaria pela Universidade Federal de Uberlândia. Nascida e criada por pecuaristas da região de Uberaba e Campo Florido. Apaixonada por cavalos e seus esportes!

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